sáb., 10/10/20264.531.829

BRASIL

BRASIL

Em áudio, Vorcaro relata pagamentos por filme sobre Lula e negociação com petistas

Em documento obtido pela publicação, Vorcaro descreve um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões "por fora, ou seja, em espécie", para cobrir as despesas do documentário Lula, de 2024, produção internacional com direção

Por Redação9 de outubro de 202698.767 visualizações estimadas5 min de leitura min de leitura

Atualizada em 10 de outubro de 2026 às 00:34

Clique para ouvir

Ouça esta matéria em áudio narrado automaticamente.

Em áudio, Vorcaro relata pagamentos por filme sobre Lula e negociação com petistas

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, relata em áudios e documentos revelados pela revista Veja que teria negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos visando acesso aos fundos de pensão de servidores federais.

Em documento obtido pela publicação, Vorcaro descreve um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões "por fora, ou seja, em espécie", para cobrir as despesas do documentário Lula, de 2024, produção internacional com direção de Oliver Stone.

Nos áudios revelados, Vorcaro fala a um interlocutor não identificado sobre dois repasses relacionados aos atuais postulantes ao Palácio do Planalto. O ex-banqueiro fala do filme Dark Horse, que contou com o auxílio de produção de Flávio Bolsonaro (PL) e do documentário sobre o presidente. Na conversa, ele compara a legalidade dos dois repasses.

"Tem o negócio do filme. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, né? Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio", diz o ex-dono do Banco Master. A Gazeta do Povo comparou a voz do áudio com um depoimento de Vorcaro e identificou compatibilidade. Fontes a par do caso ainda revelaram que o áudio não consta nos autos do caso Master, mas que há elementos sobre relações entre o ex-banqueiro e governistas.

O Dark Horse entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) sob a suspeita de que emendas parlamentares seriam utilizadas em sua produção. O relator do caso é o ministro Flávio Dino. Em meio às revelações do caso Master, surgiu um áudio de Flávio Bolsonaro cobrando o patrocínio do ex-banqueiro. Em resposta, o senador afirmou que se tratou de um "financiamento privado a um filme igualmente privado" e negou qualquer irregularidade.

Documento detalha propina negociada com ex-tesoureiro do PT

Antes disso, o Banqueiro menciona três personagens: o Banco do Brasil, o Instituto Lula e um de seus diretores, Paulo Okamotto. Esta seria outra frente, e o banqueiro se comprometeu a apresentar provas assim que uma colaboração premiada fosse homologada.

O acordo seria pagar propina de 10% sobre a arrecadação do banco na operação pretendida: o acesso a recursos administrados por entidades ligadas a fundos de previdência.

Depois do credenciamento, Vorcaro afirma que a negociação com o grupo político previa o pagamento de 10% do que o banco arrecadasse nas operações. A Veja atribui a Vaccari a cobrança dessa parcela, mas não há comprovação nos autos.

A Previ, citada nas tratativas, é a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Por meio de nota, afirmou que não possui qualquer exposição ao Banco Master, que o banco nunca teve habilitação e que observa "rigorosos e reconhecidos critérios técnicos". Já a Caixa Asset é a gestora de fundos do conglomerado Caixa.

O esquema teria passado pelas mãos do empresário Augusto Lima, sócio de Vorcaro, em uma reunião com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. A costura do encontro teria contado com a ajuda de "caciques do PT na Bahia". O documento, porém, cita que "houve um desarranjo" que frustrou o acordo.

O relato foi levado à Procuradoria-Geral da República (PGR) com o intuito de obter os benefícios da delação. O órgão, porém, não seguiu com o caso alegando falta de provas, mesmo com a indicação de Vorcaro de que poderia apresentar mensaegns, registros de acesso, lugares e rotas dos responsáveis pela entrega da propina.

O que dizem os citados

Augusto Lima

Augusto Lima enviou uma nota à Veja:

"A defesa de Augusto Lima rechaça e repudia veementemente as informações publicadas, baseadas em relatos mentirosos, falsos e delirantes, supostamente apresentados em uma proposta de delação recusada pelas autoridades

Tais informações, que deveriam ser sigilosas, não passam de uma narrativa falsa, fictícia e unilateral, sem valor probatório, utilizada apenas para lançar suspeitas sobre terceiros.

Causa indignação a divulgação de trechos de uma suposta proposta de delação, que não podem sequer serem levados em consideração uma vez que já foram rejeitados.

O vazamento de supostos trechos de uma colaboração reiteradamente recusada pelas autoridades constitui proceder criminoso, cuja conduta, pela sua gravidade, exige investigação rigorosa.

A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima qualquer ato ilícito e confia que a investigação comprovará sua inocência."

PGR

A PGR também enviou nota:

"A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo o senhor Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido. Todas as propostas formalizadas pela Defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR.

Não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.

A Procuradoria-Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido."

Campanha de Lula

A campanha de Lula afirmou que não aceitará "que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral". Prometeu ainda tomar as "medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações".

"O suposto depoimento de Daniel Vorcaro foi construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral", completou.

Fonte:gazeta do povo

Compartilhar: