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Dino envia à PF relatório do TCU sobre R$ 55 milhões em irregularidades nas emendas Pix

Auditoria analisou 100 transferências para 74 entes federativos e identificou falhas como superfaturamento e inexecução de contratos.

Por Redação7 de agosto de 202658.055 visualizações3 min de leitura min de leitura

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Dino envia à PF relatório do TCU sobre R$ 55 milhões em irregularidades nas emendas Pix

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio à Polícia Federal (PF) de um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou indícios de irregularidades na execução das chamadas emendas Pix entre 2020 e 2024. A decisão foi proferida no âmbito da ADPF 854, que acompanha medidas voltadas ao aumento da transparência e da rastreabilidade das emendas parlamentares.

A auditoria analisou 100 transferências destinadas a 74 entes federativos e apontou cerca de R$ 55,4 milhões em prejuízos, além de indícios de fraudes em licitações, superfaturamento, inexecução de contratos e despesas sem comprovação.

AUDITORIA

Segundo o TCU, foram identificadas falhas de transparência e rastreabilidade, movimentação de recursos em contas inadequadas, ausência de prestação de contas, pagamentos sem documentação fiscal ou jurídica e despesas incompatíveis com a finalidade das transferências.

A auditoria também apontou pagamentos sem comprovação da execução dos objetos financiados, além de contratos parcialmente ou totalmente não executados e casos de superfaturamento.

Na área de licitações, os auditores registraram indícios de certames fraudulentos e contratação de empresas declaradas inidôneas.

O relatório ainda destacou fragilidades no sistema Transferegov, como planos de trabalho genéricos, possibilidade de alteração de metas e objetos sem controle adequado e informações bancárias desatualizadas.

"ESTADO DE INCONSTITUCIONALIDADE"

Ao analisar os resultados da auditoria, Flávio Dino afirmou que o STF já havia determinado medidas para garantir maior transparência na execução das emendas parlamentares, como a utilização de contas específicas para cada transferência, a apresentação de planos de trabalho detalhados e a proibição de contas de passagem e saques em espécie.

Apesar dessas determinações, o ministro concluiu que as irregularidades persistem.

Na decisão, Dino afirmou que os dados apresentados pelo TCU demonstram "a persistência de um estado de inconstitucionalidade", o que justifica a adoção de novas providências para assegurar a observância dos princípios constitucionais de transparência e rastreabilidade.

APURAÇÃO PELA PF

Diante dos indícios apontados pela auditoria, o ministro determinou o encaminhamento do relatório à Polícia Federal para verificar a existência de possíveis crimes, com prioridade para os casos em que o TCU identificou danos ao erário.

Caso sejam encontrados elementos suficientes, as informações poderão subsidiar investigações já em andamento ou dar origem à abertura de novos inquéritos.

NOVAS DETERMINAÇÕES

Flávio Dino também concedeu prazo de dez dias úteis para que o Ministério da Gestão e da Inovação informe as medidas adotadas para corrigir as falhas identificadas no Transferegov.

Além disso, determinou que estados, o Distrito Federal e os municípios incluam, nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) e nas Leis Orçamentárias Anuais (LOAs) de 2027, mecanismos padronizados para identificar os recursos provenientes de emendas parlamentares.

O ministro ainda abriu prazo para que o Executivo federal, a Câmara dos Deputados e o Senado se manifestem sobre falhas relacionadas às emendas de comissão, como a pulverização de indicações, o uso das chamadas "emendas de liderança" e a ausência de identificadores únicos para os recursos públicos.


Fonte:jurisnews

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